Letras Sinceras


24/11/2004 21:47
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MÁ EDUCAÇÃO: Ótimo filme, mas que separa o público em 'ame ou odeie'. Não deixe de ter sua opinião
Data: 13/11/2004 22:01:00

É uma velha máxima, porém é mais atual do que nunca: a propaganda é alma do negócio. “Má Educação” estava fadado ao sucesso. Havia desde sua filmagem uma enorme expectativa: “Almodóvar vai botar Gael Garcia Bernal como um travesti”. “Almodóvar vai exorcizar demônios falando de abuso sexual de menores por padres dentro da Igreja”. “Almodóvar vai fazer o filme mais provocante e polêmico de sua carreira”. Frases assim ecoaram pelos quatro cantos do planeta, antes da abertura do Festival de Cannes, premiére do filme. Quando finalmente o público começou a ter contato com a obra....inevitavelmente houve certa decepção. Isso porque a expectativa pré-Má Educação era enorme, as suposições sobre o que seria mostrado e como seria mostrado variavam enormemente. No fim, a crítica acabou considerando o filme morno.

Afinal, depois de muito tempo, o tão-falado-último-lançamento-de-Almodóvar chega ao circuito brasileiro. Novamente, como fez no mundo todo, vai dividir opiniões. Mas vai dividir as pessoas em apenas dois grupos: ame ou odeie “Má Educação”. Eu fico no primeiro grupo.

Não sou um profundo conhecedor da obra de Almodóvar e talvez esse seja um dos motivos pelos quais gostei tanto do filme com Gael. (Quem conhece bem a obra do diretor me disse que comparando com seus projetos anteriores, esse fica devendo um pouco.) Eu considerei o trabalho atual provocativo na medida certa e inteligente. Sim, porque o espectador precisa prestar muita atenção para entender a trama corretamente: são histórias dentro de histórias, três personagens chamados “Ignácio”, três personagens chamados “Enrique”, um personagem que muda de nome (Padre Manolo/Sr. Berenguer) e um outro personagem que se faz passar por um dos acima. Parece complicado, não? A trama fala inicialmente da infância dos personagens Ignácio e Enrique, que se conheceram e se apaixonaram no colégio católico que freqüentaram, administrado com mão de ferro pelo Padre Manolo. Ao crescerem, esses três personagens se reencontrarão e colocarão suas angústias, frustrações e traumas em cima da mesa. Mas ainda há Juan, irmão de Ignácio, que conhece os outros dois, e que será o responsável pelas grandes reviravoltas da história.

A produção da história e toda a polêmica que a cercou mereceriam um filme à parte. “Tinha que fazer ‘Má Educação’, tinha que me livrar dessa história, antes que ela se convertesse em obsessão. Tinha trabalhado no roteiro por mais de dez anos e poderia ter continuado por outra década. Pela quantidade de combinações possíveis, a trama do filme só termina de se escrever quando o filme já está rodado, montado, mixado.”, conta o diretor Pedro Almodóvar. Ele continua, agora desfazendo boatos: “ É um filme muito íntimo, mas não é autobiográfico. Não falo de minha vida no colégio (...). Obviamente minhas memórias foram importantes na hora de escrever o roteiro, já que vivi nos locais e momentos onde a história se passa. ‘Má Educação’ não é um ajuste de contas com os padres que me educaram mal, nem com a Igreja em geral. Caso tivesse necessidade de me vingar, não teria esperado quarenta anos para fazê-lo. A Igreja não me interessa, nem como adversária. O filme não é uma comédia, ainda que haja humor ( no personagem travesti de Javier Câmara) nem um musical infantil, ainda que crianças cantem. É um film noir, ou, pelo menos, gostaria de considerá-lo assim. O gênero noir admite bem a mistura com outros gêneros, sempre que a narração respire esse ar fatal, sem o qual o negro (noir) seria cinza. No noir pode não haver polícia nem armas, nem sequer violência física, mas tem de haver mentiras e fatalidade, qualidades que normalmente uma mulher encarna: a femme fatale. Ela é consciente de seu poder de sedução e é fria, razão pela qual não se altera facilmente. É alguém que perdeu os escrúpulos e não se interessa em recuperá-los. Para ela, o sexo não é fonte de prazer e sim de dor para os demais. Em ‘Má Educação’, a femme fatale é um enfant terrible, o personagem interpretado por Gael Garcia Bernal.”

filme é repleto de referências. Em dado momento, dois personagens decidem matar o tempo depois de um assassinato e entram num cinema...que exibe uma mostra de filmes noir. (No caso, duas jóias do noir francês, “A Besta Humana”, de Renoir, e “Thérèse Raquin”, de Marcel Camé. Ambos os filmes mostram situações similares às dos personagens que os estão assistindo, razão pela qual ao saírem um deles comenta: “É como se todos esses filmes falassem de nós”.)

A origem do projeto “Má Educação” vem aparecendo em outros trabalhos de Almodóvar através dos anos. Em “A Lei do Desejo”, o transexual vivido por Carmem Maura entra num colégio onde estudou quando menino e encontra um padre que foi apaixonado por ele. Almodóvar explica que o personagem de Carmem seria uma sombra premonitória de Zahara, o travesti do filme atual.

Sobre o personagem Padre Manolo e sua pedofilia, o diretor diz que, apesar de Manolo nunca ter existido, ele se inspirou em dois outros padres reais, e em situações contadas por dois amigos seus do colégio, que acabaram entrando no filme: são as cenas do abuso no rio e na sacristia.

O elenco de ‘Má Educação’ conta ainda com outros excelentes atores, além de Gael Garcia Bernal, como por exemplo Fele Martinez (que faz o personagem Enrique Goded adulto.) Fele emagreceu e treinou quatro meses para ficar com outro corpo e atitude física, além de ter treinado a voz para torná-la mais grave. Já Javier Câmara (o protagonista de ‘Fale com Ela’, outro filme de Almodóvar) rouba a cena como a travesti Paca, e, embora tenha participação pequena, faz-se notar.

Mas por que Gael como travesti? Ele foi escolhido depois de três testes, e o diferencial é que ficava bastante atraente tanto como homem quanto como mulher. E isso era essencial para entender a relação de seu personagem com o resto, a intensidade com a qual todos ficavam obcecados por ele, como explicou Pedro Almodóvar. E como foi na prática trabalhar com Gael Garcia Bernal? Com a palavra novamente o diretor: “Foi um desafio, tanto para ele quanto para mim. Não é fácil interpretar um personagem que são três, especialmente quando dois deles são opostos fisicamente. Suponho que é o trabalho mais difícil que Gael fez até hoje. À essa dificuldade de mudar de sexo, e no resultado não ficar algo grotesco, juntava-se à do sotaque; eu queria que ele falasse com o sotaque espanhol e não o mexicano, que é muito diferente. Fiquei muito satisfeito com o resultado.”.

Como disse no começo dessa crítica, “Má Educação” é um filme que não provoca meio-termo: ou você gosta do que vê ou não gosta. Só por isso, já vale o ingresso.

Mas acredito que qualquer filme que faz com que você saia da sala de exibição pensando sobre ele ( em vez de pensar onde vai comer ou o que vai fazer quando chegar em casa) vale uma conferida. No meu caso, duas, já que mesmo nesses tempos vendo um filme atrás do outro, consegui ter o prazer de prestigiar “Má Educação” mais de uma vez. Aguardo agora o DVD com, espero, vasto material extra sobre a produção.
Diego Castro

LÍNGUA - VIDAS EM PORTUGUÊS: A beleza da língua portuguesa retratada por seus falantes em todo o mundo
Data: 31/10/2004 00:36:00

Dizem que o português é a língua mais difícil de se aprender. No entanto, 200 milhões de indivíduos nos cinco continentes habitados acordam, trabalham, se divertem e compõem obras literárias no idioma de Camões. Acostumados que estamos com o fato de sermos o maior país de língua portuguesa do mundo, esquecemos muitas vezes que Brasil e Portugal são apenas uma parte do mundo da lusofonia. Se o português não tem a importância que nós - com nossa falsa baixa auto-estima - desejaríamos que tivesse, não podemos nos queixar de termos o sexto idioma mais falado do mundo. O uso da língua portuguesa em diferentes culturas é o tema do documentário LÍNGUA – VIDAS EM PORTUGUÊS, o primeiro longa-metragem do moçambicano radicado no Brasil Victor Lopes.

Famosos como os brasileiros João Ubaldo Ribeiro e Martinho da Vila, os portugueses José Saramago e Teresa Salgueiro (do grupo Madredeus) e o escritor moçambicano Mia Couto se misturam a anônimos de todas as partes do mundo mostrando sua relação com a língua, através de ações de seus cotidianos. Claro que um filme com Saramago é capaz de produzir bons momentos, como aquele em que o escritor se arrisca a dizer que ‘não existe uma língua portuguesa’ mas, sim, ‘línguas em português’. Além da extrema sensibilidade da afirmativa, é o canal que mostra a abertura para uma idéia de que um idioma não se constrói com regras e dicionários, mas no uso de seus falantes.

Montar um documentário sem utilizar narração é uma arte. Eduardo Coutinho, o grande nome do filme documental brasileiro, é mestre na montagem de filmes assim. No entanto, ele compensa a ausência de uma voz-guia (e de um roteiro clássico) com a metalinguagem, ou seja, a revelação do processo de feitura do filme. Embora haja uma riqueza de depoimentos e uma diversidade de usos da língua - ou talvez por isso; desde o esporádico, por pessoas que vivem em regiões em que o português não é a língua mais falada até o profissional, como os artistas e o pregador/camelô do Rio de Janeiro- o documentário tem dificuldade em estabelecer focos de narrativa fluidos, o que causa uma certa irritação na platéia. Não foram poucos os que saíram da projeção do filme no Festival do Rio de 2003 um tanto quanto cansados. O diretor parece querer montar núcleos temáticos que, em alguns momentos, parecem se repetir. Mas isso não tira a importância do filme, que já tem um grande mérito ao mostrar a nós brasileiros outros sotaques em português, o que significa outros olhares sobre nós mesmos e sobre o Outro, algo a que não estamos muito acostumados, dado o nosso direcionamento exclusivo às hostes do norte do nosso hemisfério. Não que defender a língua seja uma bandeira que a olhe como algo estático e que deva ser mantido num tubo para que não se contamine. Mas desprezar a força que o idioma tem na cultura de um indivíduo é o mesmo que querer negar a um filho o direito de ser reconhecido por seus pais, sejam eles biológicos ou adotivos. É só perguntar a alguém que deseja viver num país diferente do seu qual é a primeira providência que ele gostaria de tomar para ter uma boa vida ali. Quem não disser que é aprender a língua dos nativos estará mentindo.
Roberto Maxwell

Assim que eu souber de mais notícias sobre cinema, eu digo ok?

Bem, sobre mim, o que eu posso dizer é que o meu professor deu uma pequena "esculaxada" no meu trabalho de iniciação científica e bem... sou teimosa demais pra desistir dele, mas que o desânimo se instala as mãos cansadas... ah, isso é verdade! Estou cansada... cansada fisicamente desta faculdade! Estou com vontade de largar tudo... é sedutor o mundo não? Esse mundo tão grande e tão intenso. E eu aqui, com os meus textos. Vale a pena?

Nem tentem me responder... é só uma crise (mais uma...)
Ai, que vontade de dormir e despertar em outro lugar, bem longe daqui!

Beijim... e tchauzim...

PS: Fran, te amo! *(^_^)*



enviada por *@ninh@*






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